Quando estudamos na escola e alguns também na universidade a Teoria da Seleção Natural das Espécies, de Charles Darwin, concluída em 1859, a partir de uma incrível viagem científica do pesquisador, pelo mundo, aprendemos que obstáculos naturais hidrográficos, oceânicos e geológicos-geomorfológicos derivados do tectonismo de placas, como cordilheiras montanhosas, vulcões e depressões periféricas, contribuíram para a evolução biológica de vegetais e animais e também para a sua incrível diversidade.
Aprendemos também que o ser humano, na sua história de ocupação do espaço geográfico e de sua consequente degradação geoambiental, introduziu novas espécies, muitas vezes com a finalidade de combater pragas agrícolas, além de caçar, sem tréguas, os animais que considerava perigosos para os seus rebanhos, ou pelo simples prazer de matar. Esses atos inconsequentes contribuíram para o desaparecimento de várias espécies, ou para a redução de sua diversidade biológica. Isso sem falar da poluição generalizada do solo, água e ar, que colocaram na lista de animais e vegetais extintos ou em risco de extinção, muitas, muitas, mas muitas outras espécies.
Em trabalho recente, publicado na Revista Science, de junho, a equipe de pesquisadores do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto (PORTUGAL) e do Centro de Pesquisas em Biodiversidade da Alemanha, liderada por César Capinha, apresentou o resultado de suas análises sobre uma Biogeografia do Antropoceno, especificamente para gastrópodes, onde demonstraram que a dispersão das espécies pela humanidade, a partir dos séculos XV e XVI, quando da expansão marítima, em busca de novos mercados para a exploração de matéria prima e obtenção de mão-de-obra e de consumidores.
Antes dessa globalização econômica a homogenização das espécies era mínima, limitada às grandes regiões biogeográficas. Hoje, entretanto, o quadro é bem diferente, com uma redução acentuada da biodiversidade, em escala planetária.
O estudo foi realizado com 175 espécies de gastrópodes encontradas em 56 países ou sub-regiões geográficas, sendo possível constatar como essas espécies teriam " saído " de suas áreas de origem, a partir dessas viagens comerciais marítimas seculares.
Mesmo que o estudo seja restrito aos gastrópodes, vale o alerta para as demais espécies animais e vegetais, já que a redução da biodiversidade e a crescente homogenização, em escala planetária, são fatos.
Para saber mais: jornal " O Globo ", 12/06/2015, p. 27.
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