
No século XIX, o indígena que viveu em território norte-americano, Alce Negro, como Hehaka Sapa ( 1863 - 1950 ), ficou conhecido na História Universal, filosofou sobre a integração dos sistemas vivos do Planeta Terra, que chamou de " Teia da Vida ". Na língua Iakota, Hehaka Sapa era o " Homem Santo ", o iluminado chefe dos Sioux Oglala.
Em 1890, o Chefe Alce Negro sobreviveu ao massacre de " Wounded Knee ", quando os sioux foram derrotados pelo exército norte-americano. A sua carta-testamento tornou-se famosa mundialmente, quando os sioux sobreviventes foram OBRIGADOS a " vender " o território de Washington por um preço irrisório, pago em dólares, para o Governo da União dos E.U.A. Nessa carta o famoso chefe indígena fez uma série de RECOMENDAÇÕES SOCIOAMBIENTAIS sobre a CONSERVAÇÃO DA VIDA, no território norte-americano e no mundo.
O guerreiro criador do conceito de " Teia da Vida " foi descrito como possuidor de " DNA de herói ", acrescido de uma essência sacerdotal da religião xamânica dos indígenas que caçavam bisontes e dançavam com os lobos, nas pradarias dos E.U.A.
Hehaka Sapa foi batizado na Igreja Católica, sob as bênçãos jesuíticas, em 1904, MAS manteve-se como líder espiritual das ancestrais religiões indígenas " Cachimbo do Sol " ( Calumet ) e a da " Dança do Sol " . Em agosto de 2016, a Diocese Católica de Rapid City, abriu o processo para a beatificação católica do famoso chefe-xamã sioux.
O famoso encontro de Alce Negro com o poeta e escritor John Neihardt ( 1881 - 1973 ) resultou em um BELÍSSIMO LIVRO, lançado em 1932,e publicado aqui no Brasil pela Editora Antígona, chamado " Alce Negro fala : a história da vida de um homem-santo dos Sioux Oglala ", onde são revelados os rituais religiosos da Tradição Cultural Iakota e a lição de socioambientalismo, representada pela EMOCIONANTE carta-testamento de Hehaka Sapa, e que faz parte do discurso mundial de ambientalistas famosos, como o senador norte-americano ( 1985 - 1993 ) Albert Arnold " Al " Gore Jr. ( 31/03/1948 ), o físico também norte-americano Fritjof Capra ( 1o./02/1939 ), e os brasileiros Leonardo Boff ( 14/12/1938 ), teólogo e filósofo, e André Trigueiro ( 30/07/1966 ), jornalista e professor universitário.
No livro " A Teia da Vida " ( 1996 ), Fritjof Capra revela-se um FIEL SEGUIDOR da Filosofia Iakota, além de RECONHECER a FIDEDIGNIDADE da carta-testamento de Alce Negro, quando cita um dos trechos mais EMBLEMÁTICOS desse " Documento Social Verde ", para explicar a sua Teoria da Interdependência dos Sistemas Socioambientais, onde " tudo está conectado " :
" O que acontecer com a terra acontecerá com os filhos e filhas da terra.
O homem não teceu a teia da vida; ele é dela apenas um fio.
O que ele fizer para a teia estará fazendo a si mesmo. "
Dessa forma, Capra tenta demonstrar que o crescimento deve ser limitado, como em uma floresta, onde, para que uns sistemas floresçam, outros devem parar de crescer.
A lição antropológica que permanece, a que é resiliente, diz respeito à sabedoria dos indígenas norte-americanos, rotulados pelo xenofobismo do " civilizado " homem branco cristão, como " selvagens ". O ser humano " civilizado " devastou o planeta, em nome da cobiça e do acúmulo de capital, no período de apenas 500 anos. O que isso representa diante de cerca de 4,5 bilhões de anos, de construção do cenário geoambiental ? Reflitam : e se tudo fosse criado em 24 horas - um dia -, o que representariam 500 anos ? Segundos, talvez. Em alguns segundos apenas, a humanidade, que se autodenomina civilizada, e que diz amar a Deus, o criador, sobre todas as coisas, DESTRÓI a criação, além de programar a sua própria destruição - ele, o ser humano, que insiste em afirmar que " Deus criou o homem à sua própria semelhança " ! Oi ? Como assim ?
CONTINUA...